Um garoto de treze anos decide sair de perto mãe. Quero ir morar com meu pai, em outra cidade, em outro estado. Que remédio? O que aquela mãe poderia fazer? Tentar impedir? Pedir que não vá?
Não pôde. Decidiu apoiar. Procurou entender. Enxugou as lágrimas do seu coração de mãe e disse: "eu sei que ele vai sofrer. Mas o que eu posso fazer?
De fato nada. Decidido, talvez nem tanto, ele foi. Entrou no avião, ganhou asas,alçou vôo, saiu do ninho. Naquele momento percebi que aquele garoto não tinha a dimensão do passo que ele dava, seu primeiro passo rumo a vida adulta, saiu da sombra das asas da mãe. Não era hora, eu pensei, senti apertar o coração. Depois me confortei,qualquer coisa ele volta.
Mas não voltará, não aquele menino que partiu com inocência o suficiente pra acreditar que era sim a hora de enfrentar o mundo e aquele pai que ele não conhece, aquele pai que não o conhece e que caberá a ele conquistar.Logo ele que saiu do conforto acolhedor do colo de mãe. Jamais o veremos de novo, se ele não suportar, se ele pedir pra voltar, aquele que chegará de volta não será mais aquele menino.O passo estava dado. Quando entrou naquele avião decidiu, optou. É agora, quero crescer.
Essa é uma escolha que cabe a todos nós,embora as vezes há quem a protele tanto essa escolha que a vida é obrigada a outorgar-lhe: Ora vamos, cresça e apareça!
Crescer é uma sentença a que todos os viventes estão condenados. Sem saber direito como, vamos escolhendo sair ou ficar, parar ou prosseguir numa espécie de corrida sem linha de chegada, sem rota e sem prêmio no final. Cada dia uma escolha, um conquista ou uma derrota ou os dois... Um dia você se olha no espelho e percebe. Putz, cresci! Não dá pra saber direito quando foi, em que lugar da estrada você deixou aquele jovem entregue aos arroubos, cheio de rompantes com toda aquela certeza que era dono do mundo.
Talvez o termo amadurecer não venha da idéia de estar pronto.Acredito que faça alusão à consistência e ao sabor .Uma fruta verde não é fácil de ser comida, é amarga ou azeda,dura; já uma fruta madura não, é doce, mole, no ponto de ser comida de ser desfrutada. Desfrutada pela vida. Os maduros são aqueles que aprendem que é preciso ser mole e ao mesmo tempo firme, não ficam mais dando murro em ponta de faca.Aprenderam que há horas de amolecer, retroceder e que é imprescindível ser doce para ser saboroso e que para ser doce é preciso ser feliz.



