sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cuidado que se ganha em se perder...


E que presente me trouxe a solidão? Um resgate, uma busca, um adiado encontro comigo mesma....


Fim do espetáculo, teatro vazio.A atriz abandona seu papel e volta-se para si. “E agora José?A a festa acabou, a noite esfriou o povo sumiu.” Drummond nunca fez tanto sentido.

Abriram-se as cortinas que pendiam sobre seus olhos e em sua frente encontrava-se um espelho. Mirando a própria face, encarando os próprios olhos, buscando respostas em si mesma... Quem és tu? De onde vens? Para onde vais? Como foi mesmo que chegaste até aqui?

Estranhamente, não encontrou respostas, pois até então estava vazia de si mesma, ocupada com outras mentes. Será que fugindo da sua própria? Talvez, quem sabe...

Todavia, o inevitável encontrou chegou mediado pela solidão vazia do teatro. Encontrava-se sozinha, sem olhos atentos a lhe observar, sem olhos reveladores para consultar, sem olhos amorosos para lhe acolher, sem olhos molhados para secar...

A face refletida no espelho exigia-lhe a resposta: Quem és tu? Daquele momento em diante nascia uma promissora amizade, um compromisso de companhia eterna, encontrou-se com quem jamais a deixaria e a quem jamais deveria ter negligenciado: ela mesma.

A resposta veio pronta, após momentos de reflexão. Quem sou eu ainda não sei, e não espero que tu me digas, mas certamente descobriremos juntas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ingrato amor...



Amo como pode amar o amor
sem mais, porquê ou porém
Quero como pode querer o amor
te escolho mesmo que entre cem
Espero como pode esperar o amor
hoje, amanhã e quem sabe além
Mas sei que mesmo te amando,
 não sou eu quem te tem
E sabes que mesmo não me amando,
só tu é quem me tem. 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Meu cheio vazio...

 


            Como achar palavras quando as palavras já não dão conta do que trazemos dentro de nós? Estou cheia de um não sei o que, feliz por não sei o que, ansiosa por não sei o que, apaixonada por aquele alguém que embora eu saiba quem é, as vezes é como se não soubesse, é como se eu estivesse vivendo um amor platônico, possível somente no mundo das idéias, acessível apenas nas sombras, na penumbra de um fim de semana qualquer... cabível apenas no instante de um amasso na escada, de uma fuga para uma praia deserta numa noite de lua, traduzido em um telefonema perdido numa noite de sexta feira, presente numa lembrança incessante onde quer que eu esteja, com quem quer que eu esteja. É esse nada tão real, é esse não sei o que me preenche, é esse não sei como, não sei quando, não sei onde, não sei porque que me toma, me furta de mim mesma, que afasta meus pés do chão e me faz sentir uma sensação de que vivo sempre num estado de semi sono, aquele que não se sabe bem se uma lembrança foi um sonho ou aconteceu mesmo.