terça-feira, 27 de março de 2012

Quando eu crescer...

 


         Estamos velhos, chegamos àquela idade que a gente pensava em ter quando dizia “ quando eu crescer eu vou ser...”. Crescemos, enfim chegamos a essa idade em que se é grande, mas quão grande não é nossa surpresa de ver ainda ao nosso lado alguns mesmos medos infantis, quão surpreendente não é perceber que somos depois de crescer muito diferentes do que pensávamos que seríamos quando fossemos grandes.  Quão surpreendente não é perceber que a busca em ser grande é contínua e infinita.
       Aqui chegamos, somos grandes e ainda, talvez nos vemos pequenos, e, mesmo assim sendo, agora temos que parecer sermos mesmo os grandes que diríamos que seríamos para acalentar os olhinhos admirados dos filhos, que agora são nossos filhos embora nós ainda precisemos tanto ser filhos, embora nós ainda queiramos tanto a cama da mamãe, e o conforto daquela cálida xícara de leite quente nas noites frias, aquelas que só as mães sabem fazer, aquelas que aquecem a nossa alma, que confortam o coração.
         Estamos velhos, adultos responsáveis, grandes, lutando para nunca nos sentirmos tão grandes a ponto de achar que não nos cabe mais os sonhos, que não nos cabem mais os medos, que não nos cabem mais os ideais, que não nos cabe mais a infância. Quando eu crescer eu vou ser ainda bem pequenino.... 


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

quando a vida acontece...


À flor da pele, é assim que se sente quem traz a vida dentro de si. O corpo como uma máquina do tempo perpetuando o que foi passado, atravessando o presente e construindo um futuro.
À flor da pele, é assim que sente quem traz a vida dentro de si, um turbilhão de sentimentos que não se explicam  e nem poderiam se compreendidos.
A flor da pele a força e o medo, a tristeza e alegria, a esperança e desalento, rejeição e acolhimento...
A flor da pele, é assim que se sente quem traz a vida dentro de si.

Sem escolha...

     

A gente só percebe a liberdade quando a perde, só nota as infinitas possibilidades que a liberdade lhe oferece quando já está sem escolhas.
      Se eu soubesse o quanto eu era livre, eu teria voado, eu teria criado uma teoria sobre o tudo e sobre o nada, eu teria querido ser livre de verdade, ser livre plenamente, ser de ninguém, assim, sem raízes, sem morada, como uma folha ao sabor do vento.
       A dor maior reside exatamente aí, as asas podadas antes mesmo de terem sido notadas e agora o que posso notar é apenas essa ausência, essa prisão de grades invisíveis, prisão perpétua, uma condenação sem crime,sem direito a defesa, sem saber o motivo, enfiada goela abaixo.
     Nesse momento nada seria mais valioso do que ter a minha vida de volta, meu futuro de volta, minhas infinitas possibilidades, meu direito de ser o que eu quiser na hora que eu quiser.
    É, a vida não acabou mas me fez escrava dela.
     

         

domingo, 7 de novembro de 2010

Enfim feliz...



A dor é mais inspiradora, é tão difícil dizer aqui o quanto estou feliz, me faltam palavras, me sinto vazia de argumentos.
Talvez a felicidade seja soberba demais para  achar que precise ser descrita.
Estou feliz, e isso só já basta. 

PS: completely in love; complètement en amour  

domingo, 10 de outubro de 2010

copiosamente...


Que choro é esse que me lava o rosto, que choro tão molhado, tão sofrido, tão profundo que brota de mim sem eu saber por quê?   
Em nome de quem ele se apresenta, a convite de quem ele aparece?
Será que ando tão afogada em mim mesma que estou transbordando?
Cheia de mim, cansada de mim, precisando de uma folga de mim. Mas como me esconder de mim mesma?  
Como não encontro refúgio, refugo a minha própria dor, acho que esse choro é minha alma escorrendo de mim, escapando da chatice, mesmice que há dentro de mim, ou fugindo das  insanidades da minha mente exageradamente pensante, ou ainda do vazio que ecoa no meu coração porque nem mesmo as almas suportam a dor louca da solidão.      

segunda-feira, 26 de julho de 2010

quando um amor se vai...

 



Estou tentando agora reviver um pouco você, mas está cada vez mais difícil, já comecei a te esquecer. Queria lembrar das nuances do teu olhar, mas não lembro.Queria ainda escutar tuas estanques risadas, mas não escuto.Queria ainda sentir teu cheiro, mas não sinto.
Você, furtivamente, está saindo de mim.
Eu queria te lembrar, não era nem por nada não, só queria mesmo lembrar... nem sei bem porque razão. Acho que é porque quando os amores estão assim se indo e se esvaindo ficam parecendo ser somente uma ilusão. Como se nunca de fato tivesse acontecido, como se nunca tivesse havido toda aquela confusão.
É estranha a sensação de que toda aquela vida não foi vivida, foi um sonho, uma impressão... é como se eu estivesse perdendo também um pedaço de mim que ficou preso naquelas lembranças do que era você, do que éramos nós.
Mesmo olhando as fotos, a sensação é de que não te conheço e, muito pior, é de que não me reconheço. Não me vejo ali naqueles meus sorrisos, naquelas minhas poses, naqueles nossos abraços, naqueles nossos momentos... pareço ali uma figura vazia de mim, como um corpo cadáver vazio de alma que só carrega uma imagem.
Por isso talvez queira ainda te lembrar, para me assegurar que eu vivi, para guardar comigo pelo menos o que senti não importa mais se foi bom ou ruim, não quero me esquecer que eu estava ali, que eu nunca fui um cadáver. Porque as lembranças são vida, afinal, alguém já disse recordar é viver e acho que deve ser por isso que eu não me quero me esquecer, porque por algum tempo o que eu sabia de mim estava cheio de você.




domingo, 25 de julho de 2010

O Menino...

 





ah menino quando te vejo meu coração se abre em flor,
quando me sorris e entramos nos papos
sobre todos os papos que se pode papear
é como se o tempo não precisasse mais passar....

eu poderia me deter ali naquele momento,
esperando o momento de cair nos teus braços meninos
e ser olhada por teus olhinhos meninos lampeiros
que me despem com volúpia e pudor,

ah menino, teu receio menino me diverte,
teu jeito menino de querer meu jeito mulher,
teus devaneios sobre noites de lua e taças de vinho
e o amor que desejas e que, meninamente, não me revelas...
ah menino, eu te daria, se pudesse, esse amor todo dia