segunda-feira, 26 de julho de 2010

quando um amor se vai...

 



Estou tentando agora reviver um pouco você, mas está cada vez mais difícil, já comecei a te esquecer. Queria lembrar das nuances do teu olhar, mas não lembro.Queria ainda escutar tuas estanques risadas, mas não escuto.Queria ainda sentir teu cheiro, mas não sinto.
Você, furtivamente, está saindo de mim.
Eu queria te lembrar, não era nem por nada não, só queria mesmo lembrar... nem sei bem porque razão. Acho que é porque quando os amores estão assim se indo e se esvaindo ficam parecendo ser somente uma ilusão. Como se nunca de fato tivesse acontecido, como se nunca tivesse havido toda aquela confusão.
É estranha a sensação de que toda aquela vida não foi vivida, foi um sonho, uma impressão... é como se eu estivesse perdendo também um pedaço de mim que ficou preso naquelas lembranças do que era você, do que éramos nós.
Mesmo olhando as fotos, a sensação é de que não te conheço e, muito pior, é de que não me reconheço. Não me vejo ali naqueles meus sorrisos, naquelas minhas poses, naqueles nossos abraços, naqueles nossos momentos... pareço ali uma figura vazia de mim, como um corpo cadáver vazio de alma que só carrega uma imagem.
Por isso talvez queira ainda te lembrar, para me assegurar que eu vivi, para guardar comigo pelo menos o que senti não importa mais se foi bom ou ruim, não quero me esquecer que eu estava ali, que eu nunca fui um cadáver. Porque as lembranças são vida, afinal, alguém já disse recordar é viver e acho que deve ser por isso que eu não me quero me esquecer, porque por algum tempo o que eu sabia de mim estava cheio de você.




domingo, 25 de julho de 2010

O Menino...

 





ah menino quando te vejo meu coração se abre em flor,
quando me sorris e entramos nos papos
sobre todos os papos que se pode papear
é como se o tempo não precisasse mais passar....

eu poderia me deter ali naquele momento,
esperando o momento de cair nos teus braços meninos
e ser olhada por teus olhinhos meninos lampeiros
que me despem com volúpia e pudor,

ah menino, teu receio menino me diverte,
teu jeito menino de querer meu jeito mulher,
teus devaneios sobre noites de lua e taças de vinho
e o amor que desejas e que, meninamente, não me revelas...
ah menino, eu te daria, se pudesse, esse amor todo dia

sábado, 24 de julho de 2010

Freud explica...

Somos apenas aquilo que somos com toda a redundância cabível nessa sentença. Somos escravos de nossa essência, limitados a sermos apenas nós mesmos, por mais que aquilo que somos nos cause desconforto em viver.


Somos vítimas de um inconsciente demandante, a mercê dos nossos mais profundos desejos os quais nem mesmo sabemos quais são. Freud explica o que jamais poderemos entender como nunca seremos aquilo que desejamos ser e jamais teremos aquilo que desejamos ter porque sequer conhecemos nossos reais desejos.

Nosso destino cruel é conformarmo-nos em sermos nós mesmos ou na melhor das hipóteses em sermos uma versão atualizada de nós mesmos.

domingo, 11 de julho de 2010

o que realmente importa...



O que levamos dessa vida? O que de fato nos pertence? Nossas aquisições materiais? As pessoas que conquistamos, as pessoas que criamos ou aquelas por quem fomos criados?
Durante nossa vida, por diversas vezes, nos vemos presos por algemas invisíveis, por valores que nos foram impostos e que nada têm a ver com o que fato acreditamos...
E vai-se vivendo uma vida insípida, sem gozo... uma vida sem vida.
Aí alguém morre, aí alguém te furta, aí algo que parecia tão real, tão próprio te escorre pelos dedos...
E eu fico me perguntando por que nos obrigamos a viver uma vida que não nos realiza, por que carregamos nossas escolhas como sentenças?
Em nome do patrimônio que conquistamos, em nome do que nos dizem que é certo? E por isso vamos vivendo aguardando por uma satisfação pós morte? Eu não comungo dessa cultura mórbida... Fico com a ideia que o que se leva dessa vida é vida que se leva,embora clichê, essa frase carrega uma verdade incontestável.
As mortes que nos cercam e até mesmo aqueles que nos furtam figuram como alertas, como uma voz divina gritando em nossos ouvidos “ EIIIII, ACORDA PRA VIDA” Ser feliz é uma obrigação e a felicidade reside em tudo aquilo que é genuinamente teu. Aquilo que tu acreditas, aquilo que te realiza, o sentimento que tu tens pelas pessoas e os que elas têm por ti. Tudo isso é teu, o tempo não apaga, a morte não encerra o ladrão não te rouba.
Fica aqui o meu apelo, o meu conselho e a minha verdade. Cultivemos, amigos, aquilo que podemos possuir; os sentimentos, os conhecimentos e os nossos desejos. E o meu desejo é que sejamos todos, genuinamente, felizes.