Basta-me, apenas, dizer “doravante” e neste mesmo instante me transformo naquilo que serei amanhã, que pode ou não trazer algo daquilo que sou hoje.
Sou como um rio que passa, que a priori parece ser sempre o mesmo rio, mas que assim jamais o será. A água que hoje corre amanhã não correrá... Da mesma forma me acredito como este mesmo rio que corre, escorre e percorre os caminhos do destino.
Hoje sou aquilo que por definição chamo de eu, mas os fulcros de minhas certezas se constroem sobre as incertezas da volatilidade dos momentos, efemeridade dos sentimentos e brevidade das experiências.
Sou parte daquilo que vivo, daquilo que sinto e daquilo que penso que sou
E quando este mundo se encontrar privado da minha presença, seja eu a mesma sentença a exigir a recompensa da lembrança do que fui, pois, enquanto houver uma só memória que guarde uma lembrança minha, por essa memória continuarei existindo e me reconstruindo dos sonhos que semeei na história dessa mesma memória que me guarda e que me tem.


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