segunda-feira, 5 de abril de 2010

Meu cheio vazio...

 


            Como achar palavras quando as palavras já não dão conta do que trazemos dentro de nós? Estou cheia de um não sei o que, feliz por não sei o que, ansiosa por não sei o que, apaixonada por aquele alguém que embora eu saiba quem é, as vezes é como se não soubesse, é como se eu estivesse vivendo um amor platônico, possível somente no mundo das idéias, acessível apenas nas sombras, na penumbra de um fim de semana qualquer... cabível apenas no instante de um amasso na escada, de uma fuga para uma praia deserta numa noite de lua, traduzido em um telefonema perdido numa noite de sexta feira, presente numa lembrança incessante onde quer que eu esteja, com quem quer que eu esteja. É esse nada tão real, é esse não sei o que me preenche, é esse não sei como, não sei quando, não sei onde, não sei porque que me toma, me furta de mim mesma, que afasta meus pés do chão e me faz sentir uma sensação de que vivo sempre num estado de semi sono, aquele que não se sabe bem se uma lembrança foi um sonho ou aconteceu mesmo.

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