sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cuidado que se ganha em se perder...


E que presente me trouxe a solidão? Um resgate, uma busca, um adiado encontro comigo mesma....


Fim do espetáculo, teatro vazio.A atriz abandona seu papel e volta-se para si. “E agora José?A a festa acabou, a noite esfriou o povo sumiu.” Drummond nunca fez tanto sentido.

Abriram-se as cortinas que pendiam sobre seus olhos e em sua frente encontrava-se um espelho. Mirando a própria face, encarando os próprios olhos, buscando respostas em si mesma... Quem és tu? De onde vens? Para onde vais? Como foi mesmo que chegaste até aqui?

Estranhamente, não encontrou respostas, pois até então estava vazia de si mesma, ocupada com outras mentes. Será que fugindo da sua própria? Talvez, quem sabe...

Todavia, o inevitável encontrou chegou mediado pela solidão vazia do teatro. Encontrava-se sozinha, sem olhos atentos a lhe observar, sem olhos reveladores para consultar, sem olhos amorosos para lhe acolher, sem olhos molhados para secar...

A face refletida no espelho exigia-lhe a resposta: Quem és tu? Daquele momento em diante nascia uma promissora amizade, um compromisso de companhia eterna, encontrou-se com quem jamais a deixaria e a quem jamais deveria ter negligenciado: ela mesma.

A resposta veio pronta, após momentos de reflexão. Quem sou eu ainda não sei, e não espero que tu me digas, mas certamente descobriremos juntas.

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